No dia 29 de outubro, ocorreram no Polo duas palestras:
Palestra 1:
Mariátegui e a Educação na Cena Contemporânea – 10 as 12h
A Professora Renata Bastos, Coordenadora de Estágio 1 da LIC BIO e o Prof. Ricardo Marinho da Unigranrio (Doutor em Ciências Sociais pela UFRRJ) nos apresentaram um pouco da vida e da obra de José Carlos Mariátegui, jornalista e filósofo peruano que abandonou a escola muito cedo, devido a problemas de saúde, e que, de forma autodidata, impactou profundamente toda a sociedade latino-americana, dando especial atenção justamente à Educação.
Ainda jovem, Mariátegui começou a trabalhar em um jornal como entregador. Posteriormente, já na condição de jornalista, se envolveu com o movimento estudantil peruano.
Criticou duramente a falta de debate sobre a Educação em seu país, o que lhe rendeu uma prisão. Quando novamente livre, voltou com críticas ainda mais pesadas, o que lhe rendeu o exílio.
Nesse período de exilamento, passou por vários países da Europa e conheceu todo o sistema educacional daquele continente.
Voltando ao Peru, iniciou a ideia de uma universidade popular, na qual cada um, com sua experiência de vida, poderia apresentar conhecimentos que tivessem algum efeito prático para a melhoria de vida da população, não havendo a necessidade de um mestre tradicional, em posição de maior autoridade e com melhor formação, mas sim de pessoas dispostas a compartilhar seus conhecimentos a fim de torná-los um bem público.
Muitos o chamavam de “Amauta”, que significa “mestre” em um dialeto indígena peruano. Um mestre no sentido horizontal, que se situa junto dos aprendizes, ensinando-os enquanto com eles também aprende.
Seu principal livro, 7 Ensaios de Interpretação da Realidade Peruana, publicado em 1928, aborda diversas questões da sociedade peruana (Política, Geografia e principalmente, Educação) e só chegou traduzido ao Brasil em 1975, com prefácio redigido por Florestan Fernandes.
Mariátegui foi um dos pioneiros a considerar que a Educação deveria chegar a todas as regiões.
“O ano da publicação dos 7 ensaios no Brasil, foi marcado pelo surgimento de uma nova possibilidade de conquista do regime democrático e foi também um ano de busca de alternativas teórico-estratégicas, de ásperas e violentas polêmicas, e de pretensas inovações introduzidas sob o signo da ‘Revolução’. Configurava-se, portanto, um momento de nossa história em que as mudanças prevaleceram mais do que a conservação. Neste contexto, surge a interpretação de Mariátegui no Brasil, direcionada pela sociologia paulista – sob a égide weberiana, através da apresentação que Florestan Fernandes fez na edição brasileira dos 7 ensaios. Trata-se, por conseguinte, do momento em que as idéias de Mariátegui são apresentadas ao público brasileiro em geral”[1].
Um pouco mais sobre Mariátegui:
José Carlos Mariátegui e o Brasil:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142010000100023&script=sci_arttext
Mariátegui e a fé na Educação Socialista:
www.5ebem.ufsc.br/trabalhos/eixo_05/e05a_t004.pdf
Obras (em espanhol):
http://www.patriaroja.org.pe/docs_adic/obras_mariategui/
Palestra 2:
Aplicações da biotecnologia no combate a parasitoses – 15h as 16h
Ao contrário do que muitos podem pensar, a Biotecnologia não trata apenas de experimentos em laboratório ou de experimentos relacionando seres vivos a processos tecnológicos. A Biotecnologia é tudo aquilo que lida com a manipulação de seres vivos ou parte deles. Como exemplo de processos biotecnológicos (clássicos), podemos citar a fabricação de queijo, álcool combustível, vinho e cerveja, produtos obtidos com a participação de enzimas, bactérias e leveduras. Atualmente, essa área da ciência visa à manipulação genética de organismos ou de suas partes, assim como à criação de vacinas e ao combate a pragas e doenças.
A coordenação da disciplina Tópicos em Biotecnologia já apresentou o uso dessa área do conhecimento no meio ambiente e no combate a dengue. Dessa vez, o foco foi no combate a parasitoses.
– O que são parasitoses?
O parasitismo é caracterizado por uma relação entre dois indivíduos na qual só um deles é beneficiado. O parasita (indivíduo beneficiado) usa o hospedeiro (indivíduo prejudicado) como habitat e retira dele os nutrientes necessários para a sobrevivência. Em longo prazo, essa associação pode prejudicar a saúde do hospedeiro ou até levá-lo a morte.
Difere da predação pois os verdadeiros predadores matam sua presa logo após atacá-la. [2]
De acordo com NEVES (2005, p. 10)[3]:
“…para existir doença parasitária, há necessidade de alguns fatores:
a) inerentes ao parasito: número de exemplares, tamanho, localização, virulência, metabolismo etc.
b) inerentes ao hospedeiro: idade, nutrição, nível de resposta imune, intercorrência de outras doenças, hábitos, uso de medicamentos etc.”
Da combinação desses fatores poderemos ter as seguintes situações referentes ao hospedeiro: “doente”; “portador assintomático”; e “não parasitado”.[3]
É chamada de parasitose toda agressão causada por um parasito. Pode ocorrer sob a forma de infecção ou de infestação. No primeiro caso há penetração, desenvolvimento e multiplicação de parasitos no hospedeiro. Já no segundo caso, há alojamento, desenvolvimento e reprodução na superfície do corpo do hospedeiro.[4] Ou seja, a infecção é interna e a infestação é externa.
Podem ser causadas por vermes (verminoses), vírus (viroses), bactérias (bacterioses), protozoários (protozooses), entre outros.
Diversas são as aplicações da biotecnologia no combate a parasitoses.
– Elaboração de vacinas recombinantes: o gene do microorganismo responsável pela produção do antígeno é inserido em outro microorganismo que passa a produzir o antígeno em larga escala. Esses antígenos são purificados e usados na produção da vacina. O objetivo é fazer com que o organismo vacinado crie anticorpos para aquele antígeno, impedindo sua manifestação
– Uso da transgenia: desenvolvimento de organismos geneticamente modificados que, dentre outras possibilidades, podem ser incapazes de transportar o agente causador da parasitose;
– Produção de fármacos: substâncias químicas com efeitos fisiológicos ou bioquímicos.
– Uso de produtos bioativos: produtos naturais que combatem as parasitoses.
– Controle Biológico: utilização, por exemplo, de predadores ou parasitas dos vetores ou dos agentes causadores de parasitoses, como forma de reduzir a população desses seres e assim reduzir também as chances de manifestação das doenças.
Clique na imagem, faça o download da apresentação usada na palestra e saiba como o tema foi abordado.
[1] MARIÁTEGUI, J. C. Sete ensaios de interpretação da realidade peruana. Tradução de Salvador Obiol de Freitas e Caetano Lagrasta. Prefácio de Florestan Fernandes. São Paulo: Alfa-Omega, 1975
[2] GONÇALVES, R. G. e Cols. O que é um parasito? Uma análise etimológica e semântica do termo parasito em diferentes idiomas. Em: periodicos.uem.br/ojs/index.php/ActaSciHumanSocSci/article/viewFile/824/442 baixado em 6/11/11.
[3] NEVES, D. P. e Cols. Parasitologia Humana. Ed. Atheneu, 11ª ed, 2005. 495 p.
[4] VENTURA, C. R. R. Diversidade Biológica dos Protostomados. v. 2. – 2ª ed. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2010, 239 p.