Texto de estudante do Polo integra jornal do Ponto de Cultura Os Serões de Seu Euclides

O estudante de Biologia do Polo EAD de Nova Friburgo, Lucas Bilé, foi convidado a escrever um texto para o jornal do Ponto de Cultura Os Serões de Seu Euclides.

O Ponto de Cultura Os Serões do Seu Euclides, instalado em Cantagalo-RJ, tem o objetivo de resgatar a memória euclidiana e ressaltar o patrimônio material e imaterial que a obra do escritor faz circular em manifestações artístico-culturais e ações interdisciplinares. No nome, a palavra serões deve ser entendida na sinonímia festiva dos saraus poéticos e como trocadilho que referencia uma das maiores obras literárias brasileiras, Os sertões, do próprio Euclides da Cunha.

O projeto é um braço do Projeto Interinstitucional de Extensão 100 Anos Sem Euclides (UFRJ/UERJ/Cátedras da UNESCO), que tem a finalidade de promover uma série de ações artísticas, culturais, acadêmicas e educativas, direcionadas a diversos segmentos da sociedade fluminense, realizando ações que dizem respeito aos locais de cultura e de memória em que se consagrou a escrita euclidiana.

As atividades do Ponto de Cultura são diversas: Oficinas de Artes; Cineclube; conversas com jovens sobre Euclides da Cunha (denominadas Altos Papos Euclidianos); cursos de formação para educadores; mesas-redondas; eventos culturais diversos; saraus lítero-musicais; contação de histórias; além de um concurso literário para toda a comunidade, chamado Prêmio Euclidiano de Pequenas Narrativas.

O desafio do projeto encontra-se na proposta de formar novas gerações com um sentimento de pertencimento à comunidade, através da história e da memória de outros cidadãos que marcaram seu tempo. Para tanto, parte-se da figura emblemática de Euclides da Cunha!

O texto escrito por Lucas integra a edição especial do jornal, em homenagem ao aniversário do escritor (20 de janeiro).

Parabéns, Lucas Bilé, por este trabalho!

Confira o texto, na íntegra.

Euclides e seu alerta para o futuro

Lucas Bilé

O desmatamento é um processo de perda da cobertura vegetal original de uma determinada área.
Além de escritor, Euclides da Cunha, também foi um ambientalista e um educador ambiental, antes mesmo desses termos serem criados. Ou seja, o autor era um pensador a frente de seu tempo, que demonstrou grandes preocupações com o meio ambiente, inclusive fazendo uma crítica na cultura de extrativismo destruidor predominante no Brasil.
No conto “Fazedores de Deserto”, Euclides denuncia os problemas que assolam o meio ambiente e alerta sobre um fim eminente. Isso foi observado pelo autor e é visto até hoje, como pode-se analisar no fragmento:Temos sido um agente geológico nefasto, e um elemento de antagonismo terrivelmente bárbaro da própria natureza que nos rodeia.”
O autor de “Os Sertões”, nesse pequeno fragmento do texto, fala que o homem luta contra o próprio homem pela sua busca incontrolável de riquezas. E a natureza, por sua vez, luta contra o próprio homem, fragilizada, tentando se defender para não ver seu próprio fim.
Provando a ignorância da humanidade, Euclides faz um novo alerta:
“Na agricultura do selvagem era instrumento preeminente o fogo. Entalhadas as árvores pelos cortantes digis de diorito, e encoivarados os ramos, alastravam-lhes por cima as caitaras crepitantes e devastadoras. Inscreviam, depois, em cercas de troncos carbonizados a área em cinzas onde fora a mata vicejante; e cultivavam-na. Renovavam o mesmo processo na estação seguinte, até que, exaurida, aquela mancha de terra fosse abandonada em caapuera, jazendo dali por diante para todos sempre estéril”
Euclides da Cunha relata o extrativismo destruidor como um comportamento adquirido na colonização que parece ser “natural” na sociedade. Em muitas áreas do país, há o uso dos recursos naturais de maneira não sustentável, levando a degradação total daquela região.
O escritor denuncia a utilização das queimadas como um recurso que não requer nenhum investimento financeiro, que é muito utilizado até hoje por produtores que pretende implantar em seus territórios plantações ou, até mesmo, usar o espaço para a agropecuária.
O autor do conto ainda fala sobre os efeitos desses atos:
“As consequências repontam, naturais.
A temperatura altera-se, agravada nesse expandir-se de áreas de insolação cada vez maiores pelo poder absorvente dos nossos terrenos desnudados, cuja ardência se transmite por contato aos ares, e determina dois resultados inevitáveis: a pressão que diminui tendendo para um mínimo capaz de perturbar o curso regular dos ventos, desorientando-os pelos quatro rumos do quadrante, e a umidade relativa que decresce, tornando cada vez mais problemáticas as precipitações aquosas.”
Pode-se relacionar esse trecho com o fato das altas temperaturas desse verão. Vê-se como o escritor cantagalense acerta mais uma vez. E mais informações sobre isso: o relatório Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, afirma que a temperatura do planeta subirá quase 5 graus Celsius até 2100.
A atividade humana é o principal causador do desaparecimento das florestas ao redor do mundo. E não são só as florestas que estão sumindo, os lagos, rios e nascentes sofrem igualmente os impactos da sociedade.
De 1901, data da publicação de “Fazedores de Deserto” até os dias atuais, florestas foram dizimadas a pequenas áreas de preservação e, geralmente, as perdas ocorrem nas regiões tropicais, entre suas causas, está o desmatamento e a retirada ilegal da madeira.
É importante lembrar que Euclides da Cunha escreveu tais denúncias no início do século XX, e o mesmo descaso percebido por ele ainda está na sociedade e faz parte da nossa cultura. O autor acreditava que a vida era a oportunidade de evolução e crescimento, e cada um deve respeitar e preserva toda e qualquer criação.
E você? Você faz sua parte para que o planeta tenha condições suficientes a oferecer os recursos naturais necessários para as próximas gerações? Pense nisso.

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