No dia 26 de abril de 2014, o Polo EAD de Nova Friburgo recebeu a visita de uma pesquisadora americana.
A PhD Mariel A. Marlow, da Universidade da Califórnia, ministrou a palestra Desenvolvimento de questionários: Por que os detalhes podem ser mais importantes do que pensamos?
Em bom português, Mariel explicou aos mais de 70 presentes a metodologia que considera mais adequada tanto para a elaboração de questionários, quanto para sua aplicação em pesquisas com diferentes públicos. Para a pesquisadora, um questionário deve ter boa confiabilidade e validade e isso se consegue com:
– a elaboração de boas questões: os enunciados devem ser de fácil entendimento. Para isso, deve-se evitar a utilização de termos técnicos, assim como a ambiguidade ou o acúmulo de perguntas em um mesmo enunciado.
– a seleção do público correto (e do entrevistador correto para cada público): selecionar o público correto é fundamental para que suas informações sejam realistas (confiabilidade). Já a seleção do entrevistador também precisa ser cuidadosa, pois o mesmo pode influenciar as respostas dos entrevistados. A palestrante deu o exemplo de um entrevistador atraente que, dentre outras perguntas, questiona a idade de mulheres em um determinado ambiente. Se ele não se preocupar em conferir as identidades das mesmas, elas podem mentir sobre sua idade e isso gerará resultados falsos. Além disso, é essencial que os entrevistadores sejam treinados, para que a abordagem ocorra da melhor maneira possível (sem também influenciar nas respostas).
– a abordagem de aplicação dos questionários: os enunciados das questões e a abordagem dos entrevistadores devem ser simples, amigáveis, objetivas e evitar respostas automáticas. Por exemplo, deve-se evitar listar as opções de resposta na horizontal ([ ] sim [ ] não [ ] talvez), pois isso pode confundir o entrevistado. Deve-se evitar também dispor perguntas que se presume que terão respostas iguais em sequência, pois isso pode viciar o entrevistado a dar a mesma resposta a todas, sem se preocupar com a veracidade dos dados.
– o fornecimento de uma categoria de não-resposta: isso evita que o entrevistado seja obrigado a dar uma resposta que não sabe ou não quer. Por exemplo, as opções de resposta para o enunciado “Você concorda com determinada afirmativa?” devem ser “sim”, “não” e “não sei/não quero responder”.
– uma análise calma e sistemática dos dados: criar um espaço para observações nos próprios questionários e usar esquemas de codificação para as respostas contribuem para uma melhor análise dos dados e, logo, para sua confiabilidade e validade.
Após a palestra, o público pôde fazer perguntas e comentários.
A palestra teve cerca de uma hora de duração e teve um público bem diversificado: estudantes e tutores de todos os cursos do Polo e até alunos de outras instituições estiveram presentes.





