O Polo EAD de Nova Friburgo, por meio da coordenação do curso de Licenciatura em Letras, está organizando o II Concurso de Poesias Polo Poético.
Das poesias enviadas, 11 foram selecionadas para participarem da grande final do dia 31 de outubro, na II Jornada de Letras, quando serão definidos os vencedores dos prêmios.
Os melhores textos e o melhor intérprete selecionados pela Comissão Julgadora, bem como a melhor poesia escolhida pelos internautas serão premiados com livros. Todos os autores de textos selecionados para a etapa final, assim como seus declamadores, receberão certificados de participação no Concurso.
Como destaca o regulamento do concurso, os prêmios são cumulativos.
Os textos para a votação estão dispostos a seguir, em ordem alfabética. A votação deve ser feita na enquete ao final da página.
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Sobre pipas e balas
Meu menino brincava, moço
Pipas, bolas, calçadas riscadas.
E tinha o sorriso barulhento
De infâncias brincadas sem pressa.
Um sorriso, desses que o mundo agradece,
Que a borboleta repara.
E todas as manhãs eu pedia a Deus
Que defendesse a beleza do meu menino,
Principalmente, onde eu não alcançasse.
Um pedido tão simples, moço,
Desses que uma mãe faz por dentro,
Desses que só mesmo Deus
Com calma para olhar cada cilada.
E eu juro, moço,
Juro que ele só estudava.
Estudava ali, naquele canto,
Com o lápis firme à mão,
O lápis que disseram não provar nada.
Meu menino não tinha arma, moço,
Nem mira, nem fúria, nem nada.
Era só uma criança improvisando
Brincadeiras que cabem na porta de casa.
E foi tão rápido, tão certeiro,
Que eu nem tive tempo de rezar, sabe,
De implorar, de improvisar qualquer muralha.
Levaram meu menino com uma bala.
É isso mesmo, moço,
A vida de uma criança na favela
É a conta de uma bala.
Esta é a certeza estatisticamente mais cruel
De quem olha aquela calçada.
E não levaram só meu menino.
Levaram a borboleta, as pipas,
O futuro que meu menino sonhava.
Levaram as preces que eu improvisava.
Aquelas preces, moço,
Que protegeriam meu menino no mundo,
Mas do mundo não o protegeriam em nossa calçada.
Meu menino brincava, moço
Pipas, bolas, calçadas riscadas.
E gritava tudo que descobria como futuro,
Tudo que seu sorriso legendava:
Ser bombeiro, ser cientista, ser astronauta.
Tudo isso interrompido pela bala.
Foi o gatilho mais covarde, moço.
E o sorriso mais bonito,
Que nada pôde fazer,
Frente a um tiro na entrada de casa.
Pseudônimo: Terezinha Maria de Jesus.
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Juca
Juca ainda era uma criança,
Mas às vezes, esquecia.
Brincar quase não sabia.
Não tinha tempo!
Eram tantos afazeres no seu dia a dia…
Jogar bola? Não!
Ver TV? Não!
Ele tinha que trabalhar,
Balas ele vendia.
Gostosas? Macias?
Não sabia.
Ele só vendia, não comia.
Sua mãe sempre lhe dizia:
Não traga nenhuma de volta!
Precisava vender todas, se não: barriga vazia!
Você pode perguntar:
Por que sua mãe não ia?
Não podia, tinha que tomar conta da Bia,
Sua irmãzinha, pequena, que ainda nada entendia.
E seu pai, onde estaria?
Juca não sabia e também não perguntava,
Sua mãe não gostava…
Ele só lembrava de ter visto ele saindo de casa
E nem notícias ele mandava.
E assim Juca vivia…
Sempre trabalhando.
Mas quando podia, Juca lia.
Jornal velho, revista rasgada, gibi desbotado…
Letras embaralhadas eram tudo o que ele via,
Mas não desistia.
Coitado? Qual nada.
Cada vez mais ele se encantava
Com tudo que olhava.
Nessa hora ele tudo podia,
Até o cheiro do mar ele sentia.
Mas ao final da viagem
Ele voltava pra sua casa.
E assim esperava, afinal
Amanhã seria um novo dia.
Pseudônimo: MariaMulher
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Plenitude
Tenho me perguntado se tenho sido clara comigo mesma
Se me tenho permitido socializar com meu eu.
E uma pergunta perturbante surge ao me deparar com a lua.
Lembro-me de minha adolescência,
Lembro-me que sempre indagava a lua com perguntas mirabolantes
E de algum jeito quando terminava meu raso e devastador pensamento ela me respondia
Sentia-me satisfeita, mesmo que nada ela dissesse.
Sentia que algo mudava em meu ser.
Muitos dizem que quem cala consente
E ao me lembrar do mesmo ditado, permiti-me indagar o meu eu.
Quantas vezes o seu ser social tem calado?
Quantas vezes você o permitiu ver as coisas de outra forma?
Quantas vezes ele respirou com alívio?
Ainda que sua face à qual chame aqui de sociedade tenha errado
Quantas vezes você a perdoou?
Não podemos deixar que nossas faces desnorteadas andem em uma só linha de rasos
Não se deixe permitir o que não queres sentir e compor em seu ser
Indaguem-se e permita que o seu eu colabore com a sua face
Do mesmo jeito que a lua reveza seu expediente com o sol
Do mesmo modo que a primavera recompõe as flores que o rigoroso inverno olhou para
Inspirar-se.
Permita que sua face herde nem que seja um pouquinho do seu eu
De modo que, com o tempo eu me lembre do por que me esqueci de minha antiga face.
E a chame diferente, e a chame por completo.
Chame-me agora de ser; Ser eu social.
Pseudônimo: Liberdade
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“NÃO SÃO REDONDILHAS COM RIMAS OU COMO TRITURAR TEUS SONHOS TÃO MESQUINHOS”
Homenagem a Cazuza
Se tu vieres,
Nauta,
Com teus lábios
Com teus olhos
A me provocar
A me sussurrar
Por entre dentes
Palavras
De surrealidade
Te direi sem pressa
Volta depressa!
Pros teus alfarrábios
Pros teus lápis, borracha
E apontador!
Desenhas teus castelos
Que já não há mais,
Sem terra,
Sem gentes,
Sem dissabor!
Pois tudo são espólios,
Há penas a dor!
E tu não és mais onda,
És apenas uma partícula
Diminuta
A proferir uma enfadonha
Ladainha existencial
Por trás da tua máscara social
Porque a sociedade, meu bem,
É apenas um liquidificador
Errante,
A te triturar até o fim
A ritualizar teu comportamento
A despir teu sentimento
Circunavegando um globo
Em volta do teu espelho
Que continuará girando,
Girando, girando…
Mesmo sem perceber a tua falta!
PSEUDÔNIMO: O MERO SER VÃO DE ANTES
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Em tudo se faz presente
Agrupamento de seres, cada qual com a sua identidade, endereço,
personalidade,
buscando encontrar pacificidade, falo de sociedade.
São portadores de deveres e direitos,
vivem em uma sociedade ainda rodeada de preconceitos.
Se cada um honrar a sua cidadania, o país será uma verdadeira democracia.
A literatura define a nossa cultura,
que fundamentada na gramática dita as regras com formosura.
E é assim que surgem as palavras, despejadas no papel de forma organizada,
segundo o pensamento constituem toda a história guardada na memória.
Expressam saudade, felicidade, tristeza, dor e amor,
depende da intenção e do sentimento do autor.
Elas se unem as outras e em perfeita comunhão buscam por se fazer compreender,
mas podem perder o rumo se não encontrar alguém que possa escrever.
E em tudo se faz presente: no pensar, no olhar,
no falar, no agir e no tocar.
São elas que nos fazem repousar,
diante do viver e da necessidade de se comunicar.
Cada um de nós sabe exatamente o que acontece quando as palavras venham
a faltar
Possuem poder, depende para o que queremos usar.
Há indícios que para o bem se faz amar
e para o mal se faz odiar.
Vou te contar um segredo:
Feche os olhos, respire fundo, nesse momento a única palavra que não pode te
faltar é o ar.
Pseudônimo: Pérola Negra
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Nossa história…
No mundo estás, bela…
Bela que todos deseja,
Desejo, desejo e mais nada.
Perdem-se no olhar, tantas…
Tantas letras, liter, littera
Literatura, bela história.
Narra vida…
Vida que se vivem
Que se sente que deseja
Bela, bela
Arte.
Pseudônimo: Desejo ser…
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Meninos do vento
Lá,
A areia fina e espessa
Atravessa os pés descalços
Fazendo cócegas leves entre os dedos
Nos pés grandes e pesados
Os meninos eleitos pelo destino, talvez
Para viverem perdidos pelas ruas tão estreitas
Amplas
Mas tão desertas para quem apenas existe
Vagando, com as bermudas rasgadas
Furadas, assim como a sua presença
Mastigada pela ausência de não possuir alguém
Seus cabelos, tão encarapinhados
Tão sós sem um simples cafuné
Preciso e essencial para a sua carência
A sua consciência
Inconsistente
Por simplesmente agir
Contra ao vento.
Autor (Pseudônimo): Ferdinando Lamblet
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Por uma outra Sociedade
Ah! Sociedade,
por que escondes teu rosto?
Não me dê tanto desgosto,
tenha dó, me mostre a verdade.
Minha… tão minha sociedade,
não seja mais um fantoche
na mão do político, que faz tanto deboche
de nós, o povo que te compõe.
Libertemo-nos pela leitura
da nossa literatura
e que sejas transfigurada,
seja até recriada:
seja Barroca, para tratar do amor;
Árcade, na amizade, mas sem mal humor;
Romântica, na vida;
Realista, na política, mas bem ávida;
Parnasiana, na arte e na educação,
mas, minha maior reivindicação
é que deixes de ser
Simbólica na justiça,
e também que sejas Modernista,
para acabar com a fome!
Ah! Sociedade…
O que é do homem, o bicho não come!
Pseudônimo: Sonhador
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Do Literário Social
Fossem os livros, casas,
eu terminaria e iniciaria um capítulo
a cada vez que abrisse e fechasse a porta.
E, se em vez de folhas, asas,
eu voaria todos os dias, a cada versículo
e seria, a biblioteca, uma espécie de gaiola torta.
Torta porque não prenderia ninguém.
Teria, na verdade,
como o maior dos libertos, o seu refém;
como subjetividade,
a maior percepção consciente do outrem.
E nesse delírio de possibilidades
onde o “e se” deixa saudades,
constato que já são assim bibliotecas e livros…
por mais que os dias pareçam… frívolos.
E o cotidiano social, seja na carne ou na literatura,
segue seu modus operandi;
Nas escolas e nas ruas, aos poucos, o mundo se faz cultura.
Pseudônimo: EFFA
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Clube inexistente
Nunca reparei o que há de clube neste clube belo
Encontra-se vazio,inexistente
Hoje sim,vejo-me aqui presente
Quão lindo mesmo neste bairro imundo
A locadora com suas publicidades…
Instigam-me estes cartazes
Os bebedouros escarrados, vomitados
Por quem a piscina do mijo
Abandonou
Estes pequeninos ladrilhos amarelos encurralados em traves feitas para sustentarem meu
amor
Quadras de tênis que darão um belo cenário para você que deseja me foder na chuva
Quadras que desconhecem o porquê de suas existências
Utilizada pela demência
Demência humana macabra
Vestiário do atleta drogado
Parque infantil para o meu namorado
Sauna fria por ele esquentada
Pseudônimo: Alice Alternativa
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A voz que te dá vez
E eis que nela encontro o que não
Encontro em nenhum livro de história
Nela enxergo que a vida
De cada um grita
Nela, percebo o porquê do ser e o de ser
Com José de Alencar e Mário de Andrade
Entendo minha gente, minha terra
E minha língua.
Com Camões entendo porque o amor
Não tem explicação e o que
Realmente tem valor na vida
Com a inspiração encontrada na sociedade
Ela muda o pensamento
Transforma o momento.
Nem a ditadura pode conter o seu poder
Literatura é isso, te permite escolher.
Quer entender os motivos?
Quer ler o que não está escrito?
Quer ter prazer em estudar história?
Quer colocar o que sabe e sente pra fora?
Junte a sociedade com suas necessidades
Palavras com sua vontade
Pense, reflita, responda
É vida, é Literatura
Qual a Literatura da sua vida?
Pseudônimo: Ceciliana
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Bela iniciativa a do concurso, um prêmio para os leitores, um incentivo aos poetas!
Show!!! 👏👏👏
Textos de excelência, todos, mas o Sobre Pipas e Balas foi de encontro aos meus sentimentos diários trabalhando em jornal. Inteligente e comovente.
A poesia ” Sobre pipas e balas”retrata uma realidade bem próxima da que muitos meninos vivenciam,dentro das comunidades de nossas cidades, deixando para trás sonhos e dores no coração da mãe que chora a falta do filho querido.
Lindas, lindas!
Excelente iniciativa.Tantos talentos que não eram conhecidos. Eis ai a chance!
Boa!
Bom seria poder espalhar poesia por todos os cantos. Que essa iniciativa frutifique!
Sobre pipas e balas, Fantástico.
Poema triste e verdadeiro.
Parabéns! sorte!
Show de poesia!!!👏👏👏